quarta-feira, 18 de abril de 2012

18 de Abril - Dia Nacional do Livro Infantil



DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL

Dia
 Nacional do Livro Infantil Livro, meu amigo!

Dia 18 de Abril é o Dia Nacional do Livro Infantil pois é a data de nascimento de um dos principais escritores de literatura infantil do Brasil, Monteiro Lobato! Ele criou aventuras com figuras bem brasileiras, recuperou os costumes e lendas do folclore nacional. E não parou por aí, misturou todos eles com elementos da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema.
Ler um livro de Monteiro Lobato ou qualquer outro é entrar em um mundo novo e explorá-lo! Pois é, o livro é mágico por isso, nos permite viajar para lugares inacreditáveis e não queremos mais parar.
Se você ainda não mergulhou nas aventuras mágicas dos livros, indicamos alguns escritores brasileiros para você começar: Ziraldo, Monteiro Lobato e Ruth Rocha.

Hoje, a SmartKids tem 6 livros publicados! Você ainda não tem? Clique aqui e conheça!



Monteiro Lobato e alguns de seus personagens
O dia 18 de abril foi instituído como o dia nacional da literatura infantil, em homenagem à Monteiro Lobato.
“Um país se faz com homens e com livros”. Essa frase criada por ele demonstra a valorização que dava à leitura e sua forte influência no mundo literário.
Monteiro Lobato foi um dos maiores autores da literatura infanto-juvenil brasileira. Nascido em Taubaté, interior de São Paulo, em 18 de abril de 1882, iniciou sua carreira escrevendo contos para jornais estudantis. Em 1904 venceu o concurso literário do Centro Acadêmico XI de Agosto, época em que cursava a faculdade de direito.
Como viveu um período de sua vida em fazendas, seus maiores sucessos fizeram referências à vida num sítio, assim criou o Jeca Tatu, um caipira muito preguiçoso.
Depois criou a história “A Menina do Nariz Arrebitado”, que fez grande sucesso. Dando sequência a esses sucessos, montou a maior obra da literatura infanto-juvenil: O Sítio do Picapau Amarelo, que foi transformado em obra televisiva nos anos oitenta, sendo regravado no final dos anos noventa.
Dentre seus principais personagens estão D. Benta, a avó; Emília, a boneca falante; Tia Nastácia, cozinheira que preparava famosos bolinhos de chuva, Pedrinho e Narizinho, netos de D. Benta; Visconde de Sabugosa, o boneco feito de sabugo de milho, Tio Barnabé, o caseiro do sítio que contava vários “causos” às crianças; Rabicó, o porquinho cor-de-rosa; dentre vários outros que foram surgindo através das diferentes histórias. Quem não se lembra do Anjinho da asa quebrada que caiu do céu e viveu grandes aventuras no sítio?
Dentre suas obras, Monteiro Lobato resgatou a imagem do homem da roça, apresentando personagens do folclore brasileiro, como o Saci Pererê, negrinho de uma perna só; a Cuca, uma jacaré fêmea muito malvada; e outros. Também enriqueceu suas obras com obras literárias da mitologia grega, bem como com personagens do cinema (Walt Disney) e das histórias em quadrinhos.
Na verdade, através de sua inteligência, mostrou para as crianças como é possível aprender através da brincadeira. Com o lançamento do livro “Emília no País da Gramática”, em 1934, mostrou assuntos como adjetivos, substantivos, sílabas, pronomes, verbos e vários outros. Além desse, criou ainda Aritmética da Emília, em 1935, com as mesmas intenções, porém com as brincadeiras se passando num pomar.
Monteiro Lobato morreu em 4 de julho de 1948, aos 66 anos de idade, no ano de 2002 foi criada uma Lei (10.402/02) que registrou o seu nascimento como data oficial da literatura infanto-juvenil.
Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia

Referências: http://www.smartkids.com.br/datas-comemorativas/18-abril-dia-nacional-do-livro-infantil.html
http://www.brasilescola.com/datacomemorativas/dia-nacional-livro-infantil.htm

Material Impresso

Linguística

A Linguística é concebida como a ciência que se ocupa do estudo acerca dos fatos da linguagem, cujo precursor foi Ferdinand de Saussure. 

O termo “Linguística” pode ser definido como a ciência que estuda os fatos da linguagem. Para que possamos compreender o porquê de ela ser caracterizada como uma ciência, tomemos como exemplo o caso da gramática normativa, uma vez que ela não descreve a língua como realmente se evidencia, mas sim como deve ser materializada pelos falantes, constituída por um conjunto de sinais (as palavras) e por um conjunto de regras, de modo a realizar a combinação desses. 
Assim, a título de reforçarmos ainda mais a ideia abordada, consideremos as palavras de André Martinet, acerca do conceito de Linguística:
“A linguística é o estudo científico da linguagem humana. Diz-se que um estudo é científico quando se baseia na observação dos fatos e se abstém de propor qualquer escolha entre tais fatos, em nome de certos princípios estéticos ou morais. ‘Científico’ opõe-se a ‘prescritivo’. No caso da linguística, importa especialmente insistir no caráter científico e não prescritivo do estudo: como  o objeto desta ciência constitui uma atividade humana, é grande a tentação de abandonar o domínio da observação imparcial para recomendar determinado comportamento, de deixar de notar o que realmente se diz para passar a recomendar o que deve dizer-se”.
MARTINET, André. Elementos de linguística geral. 8 ed. Lisboa: Martins Fontes, 1978.
O fundador destaciência foi Ferdinand de Saussure, um linguista suíço cujas contribuições em muito auxiliaram para o caráter autônomo adquirido por essa ciência de estudo. Assim, antes de retratá-las, constatemos um pouco mais acerca de seus dados biográficos:
Ferdinand de Saussure nasceu em 26 de novembro de 1857 em Genebra, Suíça. Por incentivo de um amigo da família e filólogo, Adolphe Pictet, deu início aos seus estudos linguísticos. Estudou Química e Física, mas continuou fazendo cursos de gramática grega e latina, quando se convenceu de que sua carreira estava voltada mesmo para tais estudos, ingressou-se na Sociedade Linguística de Paris. Em Leipzig estudou línguas europeias, e aos vinte e um anos publicou uma dissertação sobre o sistema primitivo das vogais nas línguas indo-europeias, defendendo, posteriormente, sua tese de doutorado sobre o uso do caso genitivo em sânscrito, na cidade de Berlim. Retornando a Paris passou a ensinar sânscrito, gótico e alemão e filologia indo-europeia. Retornando a Genebra continuou a lecionar novamente sânscrito e linguística histórica em geral.
Na Universidade de Genebra, entre os anos de 1907 e 1910, Saussure ministrou três cursos sobre linguística, e em 1916, três anos após sua morte, Charles Bally e Albert Sechehaye, alunos dele, compilaram todas as informações que tinham aprendido e editaram o chamado Curso de Linguística Geral – livro no qual ele apresenta distintos conceitos que serviram de sustentáculo para o desenvolvimento da linguística moderna.  
Entre tais conceitos, tornam-se passível de menção alguns deles, tais como as dicotomias:
Língua X Fala
Esse grande mestre suíço aponta que entre dois elementos há uma diferença que os demarca: enquanto a língua é concebida como um conjunto de valores que se opõem uns aos outros e que está inserida na mente humana como um produto social, razão pela qual é homogênea, a fala é considerada como um ato individual, pertencendo a cada indivíduo que a utiliza. Sendo, portanto, sujeita a fatores externos.   
Significante X Significado
Para Saussure, o signo linguístico se compõe de duas faces básicas: a do significado – relativo ao conceito, isto é, à imagem acústica, e a do significante – caracterizado pela realização material de tal conceito, por meio dos fonemas e letras. Falando em signo, torna-se relevante dizer acerca do caráter arbitrário que o nutre, pois, sob a visão saussuriana, nada existe no conceito que o leve a ser denominado pela sequência de fonemas, como é o caso da palavra casa, por exemplo, e de tantas outras. Fato esses que bem se comprova pelas diferenças existentes entre as línguas, visto que um mesmo significado é representado por significantes distintos, como é ocaso da palavra cachorro (em português); dog (inglês); perro (espanhol); chien (francês) e cane (italiano). 
Sintagma X Paradigma
Na visão de Saussure, o sintagma é a combinação de formas mínimas numa unidade linguística superior, ou seja, a sequência de fonemas se desenvolve numa cadeia, em que um sucede ao outro, e dois fonemas não podem ocupar o mesmo lugar nessa cadeia. Enquanto que o paradigma para ele se constitui de um conjunto de elementos similares, os quais se associam na memória, formando conjuntos relacionados ao significado (campo semântico). Como o autor mesmo afirma, é o banco de reservas da língua
Sincronia X Diacronia
Saussure, por meio dessa relação dicotômica retratou a existência de uma visão sincrônica – o estudo descritivo da linguística em contraste à visão diacrônica - estudo da linguística histórica, materializado pela mudança dos signos ao longo do tempo. Tal afirmação, dita em outras palavras, trata-se de um estudo da linguagem a partir de um dado ponto do tempo (visão sincrônica), levando-se em consideração as transformações decorridas mediante as sucessões históricas (visão diacrônica), como é o caso da palavra vosmecê, você, ocê, cê, vc...
Mediante os postulados aqui expostos, cabe ainda ressaltar que a linguística não se afirma como uma ciência isolada, haja vista que se relaciona com outras áreas do conhecimento humano, tendo por base os conceitos dessas. Por essa razão, pode-se dizer que ela assim subdivide:
* Psicolinguística – trata-se da parte da linguística que compreende as relações entre linguagem e pensamentos humanos.
* Linguística aplicada – revela-se como a parte dessa ciência que aplica os conceitos linguísticos no aperfeiçoamento da comunicação humana, como é o caso do ensino das diferentes línguas.
* Sociolinguística – considerada a parte da linguística que trata das relações existentes entre fatos linguísticos e fatos sociais.




Material Não impresso

Curso a distância de Cabeleireiro

Torne-se um Cabeleireiro (a) Profissional!

O ramo da beleza cresce a cada dia, e cresce também a busca por profissionais qualificados na área. Estude no IUB e garanta seu lugar no mercado de trabalho.

07 cortes de cabelo

Incluindo corte de cabelo masculino
04 tipos de penteados
Veja também penteado para noivas
Alisamentos
Aprenda técnicas da escova progressiva
Colorimetria
Saiba tudo sobre coloração para cabelos
Visagismo
Combine cores e cortes de cabelo


Dicas de como abrir seu próprio salão

Material didático de qualidade

O Curso de Cabeleireiro do IUB é completo!

No Curso de Cabeleireiro do IUB você aprenderá sobre cortes de cabelo, penteados alisamentos e muito mais, veja: 

CORTES

Aprenda sobre o tratamento dos fios e as principais técnicas para os mais variados tipos de corte de cabelos 

PENTEADOS


Torne-se um Cabeleireiro (a) Profissional!

O ramo da beleza cresce a cada dia, e cresce também a busca por profissionais qualificados na área. Estude no IUB e garanta seu lugar no mercado de trabalho.

07 cortes de cabelo

Incluindo corte de cabelo masculino
04 tipos de penteados
Veja também penteado para noivas
Alisamentos
Aprenda técnicas da escova progressiva
Colorimetria
Saiba tudo sobre coloração para cabelos
Visagismo
Combine cores e cortes de cabelo com formatos de rosto diferentes
Dicas de como abrir seu próprio salão!
O Curso de Cabeleireiro do IUB é completo!
No Curso de Cabeleireiro do IUB você aprenderá sobre cortes de cabelo, penteados alisamentos e muito mais, veja:
CORTES
Aprenda sobre o tratamento dos fios e as principais técnicas para os mais variados tipos de corte de cabelos
Corte para cabelos
Assimétrico
Reto
Chanel
Curto
Revitalizante
Infantil
Masculino
PENTEADOS
Aprenda também a escovar os cabelos e fazer penteados perfeitos
Penteados para cabelo
Buclees
Para noivas
Colméia
Noite
Escova
 
TRATAMENTO DE
CABELOS
Aprenda também a escovar os cabelos e fazer penteados perfeitos
  • Hidratação
  • Mecha Californiana e Reflexo
  • Ondulação e Permanente
  • Plantas medicinais
  • Hena
  • Controle de volume
  • Visual saudável
tratamento para cabelo
ALISAMENTO DE
CABELOS
Conheça técnicas de alisamento de cabelos existentes no mercado. Os cuidados e benefícios de cada uma.
  • Escova Progressiva
  • Progressiva de Chocolate
  • Relaxamento
  • Amaciamento com Guanidina
  • Touca de Gesso
alisamento para cabelo
COLORIMETRIA E
VISAGISMO
Aprenda também as técnicas de coloração dos cabelos e saiba como ressaltar a beleza de suas clientes indicando o melhor tipo de corte e cor, de acordo com o cabelo e rosto de cada um.

 Referência: http://curso-cabeleireiro.institutouniversal.com.br/EAD/curso_a_distancia.php?curso-CursodeCabeleireiro
 

 

terça-feira, 13 de março de 2012

Livro: A casa da Invenção





CASA DA INVENÇAO, A

BIBLIOTECA, CENTRO DE CULTURA 

Formato: Livro
Autor: MILANESI, LUIS
Editora: ATELIE EDITORIAL
Assunto: BIBLIOTECONOMIA E CIENCIA DA INFORMAÇAO

ISBN: 8585851457
ISBN-13: 9788585851453
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Edição:
Ano de Lançamento: 1997
Número de páginas: 271

Sinopse
Diante das novas tecnologias deste fim de século - que põem em dúvida o papel das bibliotecas - Luís Milanesi propõe que elas deixem de ser apenas coleções de livros para empréstimo, estendendo sua função convencional e ocupando espaços maiores na sociedade. Nesse sentido, este livro, sem ser um receituário, esboça um projeto de uma biblioteca/centro de cultura possível num país que precisa de informação para se desenvolver.
Referência: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=170358



LILI E OS MOINHOS [Dezembro/2004]

(LUÍS MILANESI) Lili, moça bonita e extrovertida, o que não é comum entre as jovens que optam pela biblioteca como ambiente de trabalho, logo após a sua formatura foi trabalhar no Colégio Piratinga. Entrou otimista, sondou o ambiente e, armada de projetos e sonhos, avançou certa da concretização de seus ideais bibliotecários. Para isso, contava, além do que aprendera na escola, que ela sabia ser pouco, com um encanto pessoal que, em alguns casos, vale mais que as tabelas de classificação e todos os códigos da Biblioteconomia.

O Colégio Piratinga, particular, recebia os filhos da classe média alta, aquelas cujos pais planejam para os seus rebentos um diploma de médico, engenheiro, administrador de empresa e semelhantes, o que poderia colaborar para manter a classe da família. Servindo a essa clientela, o C.P. oferecia benefícios não-usuais aos alunos comuns da rede oficial de ensino. Como escola paga, deveria mostrar algumas vantagens - o suficiente para manter o seu quadro discente completo. No Piratinga as tais "melhores condições de ensino" como, por exemplo, laboratórios e biblioteca, eram mais, muito mais, que a retórica das passeatas de professores com baixo salário e desempenho equivalente. O C.P. pagava bem. Lili, inclusive, estava exultante com a oferta que recebera. O valor era superior a esquálidos holerites pré-aposentadoria que muitas colegas, aquelas pioneiras, ocultavam com resignação.

Como Lili obtivera aquele emprego "caído do céu", como diziam? Além das absolutamente necessárias indicações e referências, era impossível não perceber o entusiasmo da moça em relação a algo que, efetivamente, não animava ninguém. Havia sim uma Biblioteca no C.P., uma saleta mal iluminada, um leve odor de mofo, livros do tempo da fundação da entidade (logo após a Revolução Constitucionalista), algumas doações inúteis de órgãos de governo e, por certo, traças. Era um local adequado aos alunos mais irrequietos. Bastava a ameaça: "eu te mando para a Biblioteca" e a classe ficava em completo silêncio.

Lili, acompanhada pelo Diretor do Estabelecimento, viu aquele cenário levemente lúgubre e conseguiu improvisar uma entusiasmada seqüência de idéias, mesmo que o ambiente não oferecesse qualquer tipo de estímulo. Ganhou o emprego e a simpatia do Chefe graças ao brilho (e à cor) dos seus olhos. E, ainda, promessa de apoio.

Aí estava o desafio de Lili: implantar uma biblioteca útil. Era preciso obstinação, sem dúvida, e das fortes, daquelas que, eventualmente, podem ser identificadas como teimosia. No entanto, quase desistiu do emprego no primeiro dia de trabalho. Chegou em casa exausta, espirrando muito, o seu primaveril vestido lamentavelmente empoeirado. A noite, antes de dormir, fez uma profunda reflexão sobre a guerra suja que teria pela frente e resolveu ir adiante. Lili era alérgica à pó e isso não seria um obstáculo à sua força de vontade demolidora. Pelo menos não era claustrófoba.

O primeiro gesto radical de Lili ocorreu logo na primeira semana de atividades. Fez uma seleção rápida das obras perfeitamente inúteis como, por exemplo, listas telefônicas velhas ou mutiladas e promoveu uma fogueira no pátio, sem pensar na frase que lera em algum lugar sobre a queima de livros como predecessora da queima de homens. Como exercia com muito jeito algumas práticas típicas dos profissionais de relações públicas e políticos em geral, anunciou no Colégio todo a fogueira dos livros. Os próprios alunos, com prazer, ajudaram-na a carregar os volumes para o pátio. Alguns até sugeriram que a queima poderia ser efetuada no interior da própria Biblioteca - o que daria menos trabalho e seria uma ação mais completa. Prevaleceu a idéia original do incêndio ao ar livre. Naquele dia, Lili conquistou o Piratinga. Alguns professores ficaram preocupados, não com a forma de separar as obras inúteis das utilizáveis, mas com a agitação e a pirotecnia do evento.

Com as estantes vazias (quase a metade), Lili preocupou-se com dois grandes problemas: descupinizar o ambiente e ampliar o acervo. Fez junto ao Diretor uma descrição tão pavorosa da ação desses insetos que poderiam destruir todos os livros,inclusive, os valiosos arquivos da Secretaria, que uma firma foi contratada imediatamente para eliminar cupins, traças e quaisquer outros bibliófagos. O segundo problema era muito mais grave: o C.P., em seu orçamento, não incluíra a aquisição de livros. Não dá para comprar livros sem recursos. A idéia geral é que sempre haverá alguma boa alma que esteja querendo limpar a casa e doar uns livros dos filhos que não servem mais aos netos.

- Como é possível formar sem informar? perguntou Lili.

- Aqui a formação e a informação são dadas em sala de aula, desculpou-se o Diretor.

Lili ficou surpresa com a argumentação, mas naquele momento não encontrou nenhuma resposta adequada, além da mais tradicional para essas situações:

- Bem, Senhor Diretor, o jeito é fazer uma campanha para a obtenção de recursos para a compra de livros.

O Diretor respondeu com os ombros, eloqüentes, não deixando dúvidas: esse assunto não lhe dizia respeito. Lili aceitou o desafio. Iria movimentar a Associação de Pais e Mestres e os próprios alunos, faria uma barraca na tradicional festa junina, realizaria concurso de beleza, rifas, livro de ouro e o que fosse necessário para não deixar a Biblioteca naquele estado de penúria. Inclusive, aceitaria doação de livros, desde que fossem novos ou, pelo menos, quase.

Em menos de três meses, Lili arrecadou o suficiente para comprar cerca de oitocentos obras. Das três mil doações, foram aproveitados uns duzentos volumes. Além disso, incluíram-se na compra discos, diapositivos, mapas, tudo isso uma grande novidade para o Piratinga. Com esse empenho e sucesso, certamente, estava aberto o caminho para novos problemas. Por exemplo: aonde colocar aquele material todo? Nova batalha tomou todo o tempo e emoções de Lili: a conquista de um espaço mais adequado à nova Biblioteca. Ela dizia a palavra "nova", escandindo as sílabas. Palmo a palmo, o terreno foi sendo tomado. Não exatamente como ela queria, mas a área ampliou-se pelo menos três vezes, ocupando salas adjacentes e ganhando, com isso, alguns inimigos. Em pouco tempo, o cenário estava mudado. Logo na porta, no alto, afixara uma placa que dizia: "aqui, a sua liberdade". Parece que a frase causou alguma perplexidade.

A inauguração foi festiva. Pais e alguns mestres compareceram. A Biblioteca não parecia ter saído dos manuais de Biblioteconomia. Havia uma estante com novidades onde os volumes não mostravam a lombada, mas a capa. Num móvel improvisado estavam dois jornais do dia (Lili conseguira a doação das assinaturas) e algumas revistas. O que não existia mais era bolor, insetos, fungos e o "inferninho", armário onde almas piedosas trancafiavam livros que pudessem comprometer a boa formação dos alunos. Ali estavam O Cortiço, O Crime do Padre Amaro e outras obras que pudessem pôr em dúvida o bom nome do Colégio. Lili entendeu que a classificação era por assunto e não pela gradação moral da obra. Por isso, o livro de Eça de Queiroz foi parar mesmo na área reservada à literatura portuguesa.

No dia seguinte à inauguração, Lili madrugou na Biblioteca Comendador Saraiva - o nome que, por decisão da Diretoria, foi dado à nova repartição - à espera do primeiro leitor. Ele demorou a chegar e não manifestou interesse especial pelo acolhimento de Lili: queria apenas "fazer pesquisa" naquele "livro grande". O alvo era Frei Caneca e o tal livro, a Enciclopédia Barsa. O verbete foi localizado e o aluno se pôs a copiar. Lili observou que, esgotado o verbete, o menino pulara para o seguinte. Logo depois, a jovem bibliotecária ouviria a frase que a perseguiria por um bom tempo:

- Tia, até onde eu copeio?

"Está tudo errado", concluiu Lili. A partir daquele momento percebeu que não adiantava muito ter uma bem instalada Biblioteca, acervo rico e tudo continuar na mesma, como se a Biblioteca fosse ainda aquele lixo mofado. A bem da verdade, por vários dias a freqüência foi baixíssima, como antes. E cada um que chegava repetia o ritual: buscava o verbete para ser copiado. "Assim é que o professor quer", defendeu-se um aluno acossado por Lili com vários outros livros sobre o assunto que o "pesquisador" rapidamente copiava.

Quando a Biblioteca ficava vazia, Lili punha no velho toca-discos doado um Vivaldi ou Mozart (o seu preferido). Nesses momentos, ela ficava atenta, à espera de algum aluno que, atraído pela música, lá entrasse. Não adiantava. "Será o repertório?", indagou Lili, pronta a pôr em prática o que fosse possível para atrair o seu público. Um dia ousou: um rock. Nada aconteceu. Sentiu-se ridícula. Os alunos só entravam na Biblioteca quando algum professor exigia as invariáveis pesquisas. De seu vasto arsenal de iscas para capturar leitores localizou algo que, talvez, pudesse destruir aquela horrível rotina que reduzia o seu rico acervo a uma única enciclopédia. Resolveu colocar em prática algo que não aprendera na escola: fazer uma gibiteca. Não era disso que os adolescentes gostavam? A reação foi de espanto discreto. Não dos alunos, mas de alguns professores que entendiam ser aquilo um desestímulo à boa leitura. Lili espalhara uma série de cartazes: "gibis na Biblioteca" diziam eles ilustrados com figuras do Pato Donald, Tarzan, Mônica, Fantasma, Zorro, Super-homem e outras mais. Isca infalível. Alguns curiosos apareceram. A jovem e irrequieta bibliotecária que introduzira o carnaval no templo observava com muita atenção os movimentos de seu querido público em torno dos gibis. Depois de alguns dias, percebeu que eram sempre os mesmos que iam remexer a caixa onde eles eram guardados. E ainda: por mais que destacasse livros e revistas, colocando-os ao alcance dos olhos e das mãos dos leitores de gibis, estes não pareciam servir de iscas para aqueles. Os alunos devoravam as aventuras dos super-heróis, deliciados, mas não queriam saber do biscoito fino da leitura de livros propriamente ditos.

A imaginação de Lili era, de suas qualidades, a mais destacada. Notou um fato significativo, mesmo sendo óbvio: os alunos faziam as suas pesquisas depois das aulas. "Porque não antes?" perguntou-se na solidão de sua Biblioteca quase vazia. Para ela estava claro que os alunos só realizavam as tais pesquisas porque era obrigatório. Se não fosse, nem mesmo abririam as enciclopédias. Biblioteca era igual a pesquisa e pesquisa igual a um dever. Nunca um prazer. Mas isso é problema de bibliotecários ou de professores? Por que Duque de Caxias não passava de um mero verbete? E que nem era lido, mas transposto caligraficamente para folhas que, depois, receberiam algum adorno e, pronto, tudo era entregue ao professor de História. Não havia segredo para passar de ano.

Foi então que Lili desconfiou que poderia aliar-se aos professores. Pediu a eles que sugerissem novos livros aos alunos para que ampliassem as possibilidades de leitura. Parece que isso não alterou nada, pois os professores não respondiam com empenho os formulários que lhes eram enviados com o objetivo de organizar a bibliografia básica a ser usado no Colégio. O retorno foi de 12%, baixíssimo. Poucos mestres tiveram a pachorra de indicar livros que pudessem ser alternativos aos verbetes. E quando isso acontecia e Lili comprava as obras, colocando-as ao dispor dos alunos, eles passaram simplesmente a copiar os livros indicados, preenchendo as expectativas daqueles que, por dever de ofício, deveriam avaliar os trabalhos, dar notas, aprovando ou reprovando. Lili percebeu que, dificilmente, escaparia daquela fatalidade burocrática de indicar os livros para serem copiados - sempre depois das aulas.

Ocorreu-lhe, então, uma nova idéia de campanha: convencida das potencialidades de uma pesquisa a ser feita pelos alunos, de fato, antes das aulas, empreendeu um novo e avassalador esforço de divulgação: "pesquise antes". Isso, evidentemente, iria lhe custar muito. Teve de inteirar-se dos currículos e programas de ensino. Ela queria antecipar a Biblioteca à sala de aula. Era uma idéia inovadora, uma proposta que mudava a rotina, mas a bibliotecária não poderia imaginar que lhe trouxesse tantas turbulências.

Conseguindo o programa de ensino do Piratininga, Lili programou a Biblioteca. Claro que não pode dar uma cobertura completa, pois seriam necessários espaço e acervos maiores. Mas isolou alguns temas. Um deles, por exemplo, foi a Guerra do Paraguai. Lili organizou um painel especial sobre o assunto: juntou livros a recortes e frases de sua criação. Uma delas: "Caxias é um herói ou um bandidão genocida?" Os alunos ficaram intrigados. Afinal, o Duque era sempre homenageado em ruas, praças e estátuas eqüestres, inclusive em salas de aula. Bandido? "Descubra aqui", dizia outra frase, sobre uma série de indicações bibliográficas. O painel fora enriquecido, ainda, com referências a pintores da época e à música que se fazia no Brasil naquele período do Segundo Reinado. A novidade espalhou-se pela escola. Livros que por longas semanas permaneceram virgens passaram a ser disputados. Na própria Biblioteca, espontaneamente, formaram-se grupos de discussão, dos quais até Lili, deliciada, participava.

Aí as desgraças começaram a ocorrer. Quase custaram o emprego da aplicada e promissora bibliotecária do C.P. No dia da aula referente à Guerra do Paraguai, ocorreu um inédito e inquetante episódio: o professor quase foi trucidado pelos alunos que ergueram os seus dedinhos impertinentes, lançando questões que o programa de ensino não abarcava. Em pouco tempo, o abúlico professor, que há décadas ruminava as suas narrativas históricas, foi obrigado a recorrer ao seu paiol de armas para pôr ordem na classe. Os alunos pareciam enfurecidos, fazendo perguntas agressivas, verdadeiros insultos ao herói nacional. De onde viera aquela desintegração? Quem é que andava semeando dúvidas? Por que os alunos não ouviam apenas? E sem que ninguém nos ouça: eles estavam fazendo perguntas que o mestre não sabia responder. Teve que impor a sua autoridade. Naquele dia fatídico o professor saíra revoltado da sala, sentindo-se ultrajado pela petulância daqueles fedelhos que achavam ter mais conhecimentos do que ele. Sem dúvida, havia uma inversão de valores. Afinal, professor existia para ensinar e aluno para aprender, não é mesmo?

Posteriormente, ocorreu outra cena memorável na aula de Português, quando uma aluna corrigiu um dado referente à biografia de Machado de Assis que estava sendo monotonamente destilada. "Quem sabe mais, eu ou a senhora?" perguntou a mestra que, prestes a se aposentar, nunca se sentira tão humilhada como naquele episódio. Por algum tempo, cenas assim foram se repetindo pelas classes do Piratinga. Diagnosticou-se, de início, uma" crise existencial da juventude". Um dia, um professor, um dos raros a pôr os pés na Biblioteca, pois habitualmente lia os jornais recebidos, viu um dos painéis de Lili. Leu, releu, intuiu. Num relâmpago, teve a certeza: ali estava a origem da ação desagregadora que se observava no Piratinga. Quem diria, a Biblioteca? Ela nunca havia dado trabalho, sempre fora apenas um apoio didático. É verdade que aquela bibliotecária tinha antecedentes: ela criara a gibiteca e promovera aquela espantosa queima de livros no pátio. Agora, fazia esforço para criar dúvidas. Escola não deve criar dúvidas, mas resolvê-Ias, dando as respostas corretas. Aluno não tem maturidade para ler de tudo e discernir. Assim, vai acabar não fixando nada.

Naquele mesmo dia, o professor-detetive fez um relato minucioso na sala onde os mestres se reuniam para tomar café, apostando na ação pérfida da bibliotecária como a causadora daquela indesejável agitação dos alunos em sala de aula. A certeza sobre o caráter subversivo da bibliotecária espalhou-se rapidamente. "Dona Lili, não vás além das sandálias", alguém dissera na reunião dos professores. Quem pensava que era para interferir nas salas de aula?

Ali mesmo foi esboçada redação de um documento dos professores a ser encaminhado à Direção do Piratinga. Nele Lívia Maria Nabuco, Lili, era acusada de perturbar o processo normal do ensino, induzindo os alunos a leituras pouco recomendáveis aos propósitos de uma escola tão tradicional como aquela. No final do documento, diziam os professores: "Pedimos a V.Sa. a gentileza de determinar à Biblioteca Comendador Saraiva que se atenha unicamente à bibliografia recomendada e, especialmente, às obras adotadas pelos professores como diretrizes para as aulas. Qualquer desvio, poderá sentir V.Sa., será uma ameaça à autoridade que os professores precisam manter junto ao corpo discente. Leituras que não as indicadas serão vistas como elementos de perturbação do trabalho pedagógico pelo qual somos os únicos responsáveis". O documento alongou-se em reflexões sobre a autoridade do professor, os perigos da falta de disciplina, a responsabilidade educacional, sugerindo medidas para restabelecer a ordem.

O Diretor do Colégio ao receber o abaixo-assinado levou um susto, não imaginando que Lili pudesse ser uma figura com tanta periculosidade. Chamou-a à Diretoria, e apresentou o documento. Lili não mexeu um músculo, mas percebeu que, enfim, pudera participar de forma significativa da vida daquela instituição na sua busca de "melhoria do nível de ensino". E foi isso que Lili disse ao Diretor, cândida e serenamente. Ele fez a sua obrigação: advertiu a sua funcionária, pedindo a ela que não lhe criasse problemas, evitando comprometer o bom nome do Colégio e a confiança que os pais tinham nele. Lili ouviu tudo, prometeu refrear as suas ações e continuou, através de seu trabalho, lutando como um Dom Quixote contra o ponto final da autoridade em favor das vírgulas e das conjunções adversativas. Mas não pôde cumprir a promessa. A freqüência à Biblioteca aumentava dia-a-dia, os alunos iam diretamente às estantes vasculhar o acervo, alguns passavam o dia lá. Parece que encontravam naquele espaço a liberdade que, habitualmente, a sala de aula lhes negava. ...

(Fonte: MILANESI, Luís. Lili e os moinhos. In: ________. A casa da invenção. 3.ed. São Caetano do Sul: Ateliê, 1997. p. 150-157.)





Referência: http://www.ofaj.com.br/disciplinas_conteudo.php?cod=5

O texto conta a história de uma moça chamada Lili, uma jovem recém formada, cheias de novas idéias e sonhos, que foi contratada por um dos importantes colégios para ganhar um ótimo salário trabalhando na biblioteca. Local preferido, onde os professores mandam os seus alunos inquietos, um lugar escuro, pequeno, cheio de mofo, com livros velhos. Lili não se conformava com a situação em qual a biblioteca não era utilizada, somente quando os professores mandava os alunos buscar que realmente seria de interesse como por exemplo trabalhos que seria feito em sala de aula, tentando mostrar para todos que a biblioteca era um lugar de importancia para todos, e que devemos a todos os momentos e não só quando os professores pedissem.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain 

  • Lançamento
    desconhecida (2h 00min
  • Dirigido por
  • Com
  • Gênero
  • Nacionalidade
    França

    Sinopse e detalhes

    Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, a inocente Amélie (Audrey Tautou) muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como garçonete. Certo dia encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo ­ e é assim que encontra Dominique (Maurice Bénichou). Ao ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo. Então, a partir de pequenos gestos, ela passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Contudo, ainda sente falta de um grande amor. 

    Elenco O Fabuloso Destino de Amélie Poulain 




     


    Referência: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-27063/


    O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) 

     "Somente a dor é positiva", dizia Schopenhauer. Talvez esta seja a melhor explicação para o grande mistério envolvendo a crítica: por que os críticos preferem malhar um filme ao invés de elogiá-lo?
    A crítica deveria ser, a princípio, a análise das partes constituintes de determinado objeto e a avalição de como tais partes se articulam. Porém, comumente, a crítica se desenvolve como a constatação de que a articulação é falha e como o objeto é, por isso, deficiente.
    Isto é inevitável. Quando se trata de filmes ruins, além de ser muito mais fácil de se falar sobre eles, há um prazer imanente em atacá-los. "Somente a dor é positiva" e o desprazer que certo filme nos causa é o solo sobre o qual obtemos algum prazer, ao apresentarmos suas falhas.
    Talvez seja por isto que demorei tanto tempo para criticar "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Assisti a ele umas dez ou doze vezes e sempre me encanto com este filme.
    A trama é despretensiosa: Amélie descobre, escondida há quarenta anos, na parede de seu banheiro, uma caixinha de brinquedos. Ela decide que devolverá tal descoberta ao dono e, se isto mudar a vida dele, ela, daquele momento em diante, dedicará sua vida a ajudar as pessoas.
    Tudo neste filme é encantador, começando com a intérprete de Amélie (Audrey Tautou), passando pela trilha sonora, pelo roteiro magnífico, pela direção de arte e, principalmente, pela fotografia. "Amélie" é uma obra de arte em último sentido, proporcionando prazer estético pelo maravilhamento que causa. É daqueles filmes que se ama - inclusive chega a ser cultuado - ou se odeia, mas não há quem fique indiferente diante dele.
    O diretor Jean-Pierre Jeunet atingiu o ápice de carreira neste filme (até que prove o contrário!); preparou-se para ele em "Delicatessen" e o imitou em "Eterno Amor"; "Alien, A Ressurreição" é um corpo estranho...
    É difícil saber se "Amélie" um dia se tornará um clássico do cinema, ainda mais em nossa época, quando tudo é tão efêmero que já nasce ultrapassado, mas, certamente, é uma obra-prima de beleza e encantamento.

    Referência: http://criticadearte.blogspot.com/2006/11/o-fabuloso-destino-de-amlie-poulain.html 



     

Filme: CORAÇÃO DE TINTA

CORAÇÃO DE TINTA
Título original:
Duração:
106 minutos (1 hora e 46 minutos)
Gênero:
Aventura
Direção:
Iain Softley
Ano:
País de origem:
ALEMANHA - INGLATERRA - EUA

O filme conta a historia de Meggie (Eliza Bennett), uma garota encantada pelas histórias de aventuras  que lê nos livros. Certo dia ela descobre que seu pai Mo (Brendan Fraser), com quem mora sozinha desde o desaparecimento  de sua mãe, tem poderes mágicos de trazer os personagens dos livros à vida quandotrechos em voz alta. O vilão Capricórnio (Andy Serkis) aparece das páginas do livro Coração de Tinta para roubar os poderes de Mo e agora, com a ajuda  de seus amigos, Meggie e seu pai entram no mundo encantado dos livros para impedir Capricórnio e talvez encontrar sua mãe perdida. 

Referência: http://www.filmesdecinema.com.br/filme-coracao-de-tinta-5833/


Coração de Tinta - O Livro Mágico

Adaptação do livro de Cornelia Funke conserva ponto fonte na metalinguagem

A fantasia infanto-juvenil Coração de Tinta, escrita pela alemã Cornelia Funke, se encaixa naquela categoria de livros cujo objetivo é incentivar a prática da leitura. Não daria pra ser mais metalinguístico: o protagonista da história tem o poder de dar vida aos objetos e seres da ficção, quando os lê em voz alta. Esse didatismo é o atrativo principal do livro e não seria diferente com o filme, Coração de Tinta - O Livro Mágico (Inkheart, 2008).
Brendan Fraser vive Mo Folchart, pai de família que descobre ser um Língua Encantada tarde demais: quando ele lia um trecho de Coração de Tinta para sua filha, os vilões do livro ganharam vida e, em troca, a esposa de Mo foi parar dentro da ficção. Desde então ele jamais voltou a ler em voz alta, e passa anos a fio, de sebo em sebo, atrás de uma nova edição de Coração de Tinta para tentar recuperar sua mulher.
O filme dirigido pelo inglês Iain Softley (A Chave Mestra) começa, sem explicar muito, investindo no suspense, no ponto em que Mo encontra uma edição rara do livro-dentro-do-livro. Não demora até que ele encontre também Capricorn (Andy "Gollum" Serkis), o vilão de Coração de Tinta que quer os poderes de Mo para consolidar seu reinado do mal no mundo real.
A partir daí, Softley apanha um pouco para seguir o vaivém do roteiro de David Lindsay-Abaire. Fica evidente que o trabalho de adaptação do texto privilegiou a compressão da ação, ao invés de eliminar trechos do livro e estender os pedaços fortes. É uma narrativa corrida, enfim, com Brendan Fraser e aliados vagando de um lado para outro meio à deriva. A cara de perdido, que o ator genericamente replica em todos os seus filmes de fantasia, não ajuda.
No meio disso tudo resta ao espectador aproveitar, justamente, a metalinguagem. Surgem em cena referências a O Mágico de Oz, do Totó aos macacos voadores, a Ali Babá e os 40 Ladrões, Rapunzel... Os diálogos de Jim Broadbent (no papel do escritor de Coração de Tinta) com os personagens que ele criou são divertidos. E tem a piada interna de Jennifer Connelly viver brevemente a esposa de Paul Bettany - como é na vida real.
Ao final, fica a impressão - não rara, aliás - de que o livro não teve uma adaptação à altura. O texto preserva sua graça, mas a ação filmada ficou aquém.




Referência: http://omelete.uol.com.br/cinema/coracao-de-tinta-o-livro-magico/